quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AFILHADOS NATALINOS

Caderno Mulher Interativa
22/12/2007
    Ações solidárias se intensificam nesta época de Natal. Muitos são os apelos que podem ser atendidos na generosidade de apenas um quilo de alimento. Nós – os aquinhoados com boas camas e boas mesas – podemos aplacar um pouco do nossa culpa social ajudando em cotas mínimas aos que de tudo necessitam. Essa desagradável culpa não é decorrente de sermos responsáveis pela pobreza alheia, mas por sermos responsáveis pela situação confortável que desfrutamos. Nos é fácil fazer alguma coisa; é muito fácil fazer qualquer coisa – pois oportunidades não nos faltam e são oferecidas a todo momento. Há um clamor para que, ao menos por esses dias, não haja fome ou se diminua a miséria dessa gente que costuma passar a vida invisível, sobrevivendo em periferias física ou socialmente distantes. Carrinhos de compras ficam lotados nas portas de supermercados, arrecadando donativos, num movimento feito no coletivo, plural amplo que de quilo em quilo acaba contado às toneladas.


    Entretanto, há algumas formas de solidariedade personificadas, que tornam presente a figura dos destinatários. É o caso das ações de apadrinhamento natalino. Nelas as instituições cadastram os beneficiários-afilhados e um pequeno papel é entregue aos padrinhos/madrinhas, com dados básicos do afilhado natalino: idade, tamanho de roupas e calçados. Essa aproximação visual ou imaginária transforma a ação de doar em ato de presentear, de agradar, de mimosear alguém.

    Doar é coisa mais despachada, que se conclui em só um gesto – coisa rápida – o que não diminui seu valor e sua generosidade. Mas presentear é um tipo diferente de oferta, mais envolvente e comprometedor. Se precisa ter senso e medida para fazer a coisa. No apadrinhamento solidário se estabelece essa aliança de compromisso – em qualquer coisa deixa de servir; o genérico e o indeterminado não se encaixam. Há um carinho, um cuidado que demanda que se gaste um tempo de nossa existência com este outro ser, que passa a ter nome e corpo. Essa personalização faz com que a doação deixe de ser um totalmente anônimo e com que as mãos envolvidas de alguma forma se toquem, rompendo a separação invisível, mas muito concreta entre o mundo dos que têm e o dos que tão pouco possuem.

    Independente da forma que nos seja permitido agir, o importante é que se faça alguma coisa – o melhor que nos seja possível. O fundamental é que o Natal seja cada vez mais solidário e que esse espírito semeie frutos duradouros, capazes de vingar e florescer em outros momentos do ano. Esses são os meus votos de um Feliz Natal: recheado de generosidade e solidariedade.

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